15.5.12

Crônicas de um amor perfeito ♥

Crônica Um


Tarde de sexta feira eu não agüentava mais um minuto de serviço, arrumei minhas coisas o mais rápido que pude e quando estava prestes a desligar meu computador me chamaram no MSN. “Que ótimo” – pensei sem entusiasmo algum. Era uma amiga distante que já havia ficado com o mesmo rapaz que eu – que ótimo ao quadrado! – Digitei um “Olá” às pressas, impaciente para ir embora. Ela me correspondeu com um convite, ela queria que eu a acompanhasse ao Playcenter no sábado. Logo pensei “Não, definitivamente não” mas, depois ao checar minha agenda vi que não tinha absolutamente nada mais interessante para fazer então acabei aceitando.
No outro dia saímos cedo para o parque e o dia estava lindo, céu azul e sol brilhante. Em quanto Anne se divertia nos brinquedos mais radicais possíveis eu ficava apenas pensando “como as pessoas podem colocar a própria vida, tão em prova desse jeito?


- Venha Julie, esse nem é tão alto assim! – berrou Anne.
- Não, eu estou bem aqui.
- Tem certeza? Você não vai se divertir nada desse jeito.
- Garanto pra você que estou me divertindo – disse tentando parecer animada.

Desde sempre eu tive esse sentimento de precaução pra tudo. Não vou fazer isso posso me acidentar, não vou comer isso posso adoecer não vou isso, não vou aquilo. O que sempre me fazia pensar ser velha demais para a minha idade.
Enquanto centenas de adolescentes riam e se divertiam, nos mais variados brinquedos eu apenas orava pela vida de cada um e tentava me manter ilesa no meio da multidão que passava correndo por mim.Fiquei a observar minha querida colega Anne, em quanto ela se certificava de ter posto todo equipamento de segurança do brinquedo chamado “Evolution”, de repente quase sem querer comecei a observar o rapaz que se sentou ao lado dela. Ele era moreno, tinha um belo par de olhos verdes e parece ter notado que eu o olhava. Por puro reflexo acabei olhando para o chão e corando. Logo o brinquedo começou a funcionar e o menino dos olhos verdes e minha amiga estavam nas alturas. Sem conseguir entender o por que, não conseguia tirar os olhos do menino que na altura em que estava não passava de um borrão branco que dançava pelos ares. Logo o brinquedo parou, e meu olhar continuava fixo nele, quase involuntariamente. Tinha algo naquele rapaz que me chamava a atenção, notando meu olhar que não desviava dele o rapaz veio em minha direção. Abriu um sorriso tímido que não foi correspondido por mim, eu estava completamente paralisada, com vergonha e sem ação. O sorriso tímido do rapaz foi seguido por um riso espontâneo que acabou me dando a confiança que eu precisava para retribuir. O rapaz continuou me olhando e pude notar seus amigos o chamando ao longe, mas o rapaz nem se importou. Ignorando completamente os amigos seguiu em minha direção. De repente o belo moço estava parado em minha frente e já estava segurando uma de minhas mãos. Eu permanecia congelada e travada, não conseguia dizer nem pensar nada.
Eu nunca fora muito boa com garotos, por isso só fiquei o observando.

- Olá – disse o belo rapaz – Me chamo Rodrigo e você?
Tentando me lembrar como se fala, murmurei um tímido “Julie”.
- Então Julie, como que eu faço pra te dar um beijo?
Em um gesto desesperado acabei rindo. O que serviu de resposta o suficiente para Rodrigo me tomar em seus braços e me dar um longo beijo.
O beijo de Rodrigo fora especial, parecia que eu o conhecia a anos e que éramos dois grandes apaixonados, parecia que tínhamos uma ligação que eu nunca antes poderia ter imaginado ter por alguém. Eu não conseguia parar de beijá-lo, esqueci do mundo ao nosso redor e só me concentrei nos movimentos de nossos lábios. De repente quebrando meu encanto Rodrigo parou.

- Quem sabe a gente não se encontra por ai não é Julie? – disse me dando um selinho – Um beijo de despedida?
Rodrigo me puxou e novamente o encanto tinha voltado. Tentei guardar em minha memória o máximo daquele momento, pois sabia que em um parque tão cheio como aquele eu jamais o veria de novo. Sem vontade nenhuma me desvencilhei dos braços dele e acenei um tímido tchau. Anne já tinha saído do brinquedo e me olhava incrédula.

- Quem te viu, quem te vê hein Julie? Toda quietinha ai, só nos beijos – disse rindo.
- Com ele foi diferente, foi especial. Parecia que eu conhecia antes de ter realmente o conhecido entende?
- Definitivamente não, vem vamos aproveitar o parque.

O dia já estava no fim quando vi Rodrigo ao longe, rindo e brincando com seu grupo de amigos.
- Julie não é aquele menino que eu te vi aos beijos mais cedo?
- É ele sim.
- Você vai ir ficar com ele novamente?
- Acho que não, dificilmente ele ainda se lembra de mim.

Para a minha surpresa assim que Rodrigo me notou veio caminhando na minha direção, por um impulso comecei a caminhar em direção a ele.

- Olá – disse Rodrigo já me tomando em seus braços.
Mal respondi um oi e já estava me deliciando com o beijo irresistível de Rodrigo. Novamente o mundo parecia ter sumido e só existia nós dois, a minha fome pelo beijo de Rodrigo só aumentava a cada segundo e eu não queria parar. Como se ouvisse meus pensamentos a única coisa que Rodrigo fazia era me beijar mais e mais intensamente e me fazendo ficar sem chão, sem vontade de fazer mais nada além de beija-lo.
Fomos interrompidos pelos gritinhos impacientes de minha amiga.
- Julie eu quero ir em outros brinquedos.

Logo quem protestou foram os amigos dele.
- Vamos cara, depois você fica com ela.

Minha vontade era de abraçá-lo e fazer ele ficar comigo pra sempre. Segurando-me para não fazer isso disse:
- É, acho melhor a gente ir andando.
- Eu queria mesmo continuar com você.
- Eu também.

De repente ele gritou: - Encontro com vocês de pois.
E os amigos dele foram embora.

- Pronto, agora a gente vai ficar junto. – disse sorrindo, e quando finalmente ia voltar a me beijar.
- Julie, e eu? – disse minha amiga nervosa.
- Vai nos brinquedos que você quer ir. Sem problemas, não fui em nenhum mesmo.
- Esta bem, nos vemos na frente do guarda-volumes nove horas.
- Ok!

Virei-me para Rodrigo e antes que pudesse falar, ou fazer qualquer coisa ele já tinha voltado a me beijar.Passei a noite inteira com aquela estranho que era estranhamente conhecido por cada centímetro de meu corpo sem eu nunca ao menos te-lo visto na vida antes daquele dia. Aproveitei cada segundo com ele, mas logo chegou a hora de nos despedirmos. Trocamos telefones e fizemos juras de que ainda íamos nos ver novamente.Depois daquele dia, nunca mais vi Rodrigo. Mas, sua lembrança será pra sempre mantida em meu coração. Rodrigo foi perfeito naquele dia e prefiro lembrar dele assim. Como um sonho bom, que teve seu inicio e um lindo final.


Um comentário: