Crônicas de um amor perfeito #5

14.6.12
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- Não sei não, esse hotel é muito chato mãe.
- Calma Julie! Você acabou de chegar.
- E já vi que ele é chato!
- Ele é rústico, afinal é um hotel fazenda. Mas, é lindo. Olha quantas árvores e quanta coisa bonita ele tem.
- Eu concordo, ele realmente tem um cenário de filme, mas isso não muda o fato dele ser chato.
- Viemos relaxar não foi? E é isso que iremos fazer.
Suspirei.

Relaxar, relaxar, relaxar. Era a única coisa que eu iria conseguir fazer em um lugar como aquele. Peguei meu notebook e sai buscando um lugar onde a internet funcionasse, depois de uma hora de puro fracasso enfim encontrei. Estava distraída mexendo na internet quando notei um rapaz me olhando. Por puro reflexo comecei a encará-lo de volta. Ele corou e parou de me olhar, não pude deixar de rir da situação. O rapaz era relativamente bonito, com sua pele morena e seus cabelos encaracolados nem curtos nem longos, do tamanho perfeito para dar aquele ar angelical. Os olhos do rapaz pareciam ser sinceros quando demonstravam a tamanha timidez que o rapaz sentia. Levantei-me de onde estava e fui para meu quarto. Passaram-se alguns minutos e minha mãe finalmente me convenceu a ir "patinar" o que com certeza seria bem engraçado já que eu nunca havia patinado na vida. 

- Vamos lá Julie você consegue! - disse minha mãe me encorajando.
Um monitor do hotel estava me ajudando a colocar os equipamentos quando vi o rapaz dos olhos sinceros aparecer. Ele colocou uma roupa que notei ser uniforme do hotel, depois se direcionou até mim e sorriu em quanto dizia.
- Vamos lá! 

Delicadamente ele me ajudou a ficar de pé, e foi me segurando em quanto eu tentava me equilibrar na pista. Fiquei encarando por longos minutos aquele par de olhos negros e profundos em quanto me perguntava se ele se lembrava de ter ficado me olhando.


- Você acha que agora consegue se equilibrar sozinha?
- Definitivamente não - respondi rindo.
Ele abriu um belo sorriso quando pude ouvir o outro monitor o chamar.
- Ricardo ajude aquele menino ali.
- Esta bem. - respondeu meu rapaz de olhos sinceros - Eu já volto - disse se voltando para mim e depois saiu deslizando pela pista.
Segurei-me nas barras de apoio e não soltei por nada. De repente a vazia pista de patinação estava cheia e por isso resolvi ir embora. Estava me direcionando para a saída da pista quando percebi que alguém me tocou em um dos braços.
- Você já vai? 
Era ele meu rapaz de olhos sinceros, que a poucos minutos descobri se chamar Ricardo.
- Digamos que patinar não é meu forte!
- Eu te ajudo
- Aqui esta muito cheio
- Volte depois então, quanto mais você treinar melhor você vai ficar.
- Pode ser que eu volte.
Ele sorriu.
- Qual é o seu nome?
- Julie
- Julie, quer ajuda para sair?
- Adoraria.

Ele me ajudou e com esforço sai da pista me sentei e tirei o equipamento de segurança. Fiquei sentada por alguns minutos observando a facilidade que ele tinha para patinar e a simpatia com que ajudava crianças e adultos a deslizar por sobre a pista. Depois de soltar alguns suspiros resolvi ir embora. No caminho de volta para o quarto comecei a prestar mais atenção no hotel, notei que os unicos jovens que haviam eram os próprios monitores e um ou outro hóspede, agora a maioria do hotel era tomada por pais e filhos. Que ótimo! Entrei emburrada no quarto e me joguei na cama. Adormeci e sonhei com meu Ricardo. Acordei com minha mãe me perguntando se iria a festa do hotel. Meio relutante me levantei tomei um banho e fui.
A festa estava um completo desanimo um pai e um filho dançavam na pista em quanto outros adultos estavam sentados em volta da lareira. Suspirei. Sentei-me e observei as pessoas ao meu redor. De repente o grupo de monitores do hotel chegou e começaram a dançar animadamente o que fez as outras pessoas começarem a fazer o mesmo. E é claro, meu menino dos olhos sinceros estava por lá. Ele era um dos mais animados. Fiquei um bom tempo na festa e em momento algum ele se dirigiu até mim, isso me deixou triste o que acabou me fazendo ir embora bem mais cedo do que eu imaginava. Em quanto saia da festa notei que alguém estava vindo atrás de mim, dei de ombros e continuei andando. 

- Julie?
Ouvi chamarem.
Virei-me e era Ricardo.
- Oi.
- Já vai?
- É, digamos que eu não me divirto muito em festas.
- Ah, eu gostaria que você ficasse.
- Ér.. eu não sei.
- Eu sei que não fui falar com você mas, por favor me espera pra gente conversar? Quando acabar a festa eu te explico tudo.
- Esta bem, vou dar uma volta pelo hotel e depois eu volto.
- Ok

Eu não conseguia entender o que ele queria conversar comigo? E por que só podia ser quando a festa acabasse? Caminhei impacientemente por entre as arvores do hotel em quanto pensava em mil e uma coisas que poderiam ser. Logo já passavam das 00:00 e resolvi voltar. A festa já havia acabado e não havia sinal de nenhum de Ricardo. Apenas um ou dois monitores ajudavam a arrumar a bagunça. Suspirei e sai do salão de festas o que me fez dar de cara com Ricardo.

- Pensei que você não ia vir.
- É eu também.
Ele riu.
- Vem comigo
Disse andando rapidamente. O hotel parecia deserto, era madrugada e todos dormiam. Iluminados por uma luz fraca caminhamos em uma pequena trilha que tinha dentro do hotel e cercado por árvores ele começou a    conversar comigo.
- Desculpe-me por não conversar com você durante a festa.
- Onde estamos indo?
- Dar uma volta. Você não quer?
Corei. 
- Quero.
Eu estava com um misto e curiosidade e medo.
- Eu não posso conversar com você. Pelo menos não assim como estamos conversando agora. O hotel tem regras rigorosas quanto a isso. Monitores não podem conversar com hóspedes. Só podemos falar o que for de extrema importância. A nossa supervisora é muito rígida. 
- Entendi. Mas, o que você queria conversar comigo?
Dessa vez foi ele quem corou.
- Bem, eu gostei de você. Gostei muito. Desde quando te vi sentada na frente da recepção logo quando você chegou.
Engoli a seco.
- Eu devo estar sendo deselegante e indelicado, te fazendo me esperar até de madrugada apenas para confessar a você minha mais recente obsessão.
- E qual é?
- Te olhar.
Corei.
- Me olhar?
- É, olhar você caminhar, ver seus lábios se mexendo em quanto você fala. Observar suas sobrancelhas dançarem em quanto você conversa. Essa é minha obsessão desde quando te vi hoje mais cedo. Parece loucura, mas é verdade. Quando eu te olhei senti uma ligação fortíssima e precisava conversar com você ver no que ia dar.
- Você me pegou de surpresa.
Ele parou.
- É eu imagino. Me desculpe por isso. Se você quiser a gente volta agora e...
O interrompi dizendo:
- Eu também gostei de você. Fiquei surpresa por você ter gostado de mim.
- E como não gostar de Julie? Você tem um jeito tão doce de falar e caminhar. 
Corei. Corei muito.
- E onde a gente esta?
- Essa trilha é uma das mais bonitas do hotel. Daqui a gente pode ver tudo ao nosso redor.
Era realmente lindo. O céu estava estrelado. Tínhamos belas arvores em cima de nossas cabeças e ao nosso lado. 
- Vem, vamos sentar. - disse limpando um banco de madeira que era iluminado por um delicado poste de luz.
Sentei-me e o olhei.
- Estou sem palavras Julie, não sei como posso gostar tanto de você se trocamos poucas palavras.
- Realmente isso é uma coisa bem engraçada.
- Você não acredita em mim não é mesmo?
Apesar dos olhos dele e seu jeito de falar me transmitir uma segurança e uma sinceridade imensa. Sei que não devemos confiar em homens, então uma dose de desconfiança começou a se apossar de mim.
- É difícil de acreditar.
Ele suspirou. Colocou uma de suas mãos atrás de minha cabeça e com a outra alisou meu rosto devagar.
- E eu posso pelo menos tentar te fazer acreditar?
Eu estava congelada e imóvel com o toque de Ricardo. Era tão doce e parecia tão sincero.
- Pode - disse bem baixinho.

Ele se inclinou e bem devagar começou a me beijar. O beijo era doce e parecia tão cheio de amor. Eu não conseguia acreditar que ele realmente gostava de mim, tínhamos acabado de nos conhecer, isso não era possível. O beijo de Ricardo me hipnotizou e acabou me deixando levar. 
O jeito carinhoso e sincero de Ricardo me cativou. Depois daquela noite, nos encontrávamos todo dia no mesmo lugar após as atividades do hotel terminarem. Durante o dia Ricardo falava pouco comigo, mas sempre lançava seus olhares que para mim significavam muito. Como tudo que é bom dura pouco logo chegou o dia de dizer adeus.
- Eu não consigo acreditar, não cai ficha que essa é minha ultima noite aqui.
- Eu não quero nem pensar nisso Julie. 
- Mas, temos que pensar Ricardo.
- Não, não temos. 
Ele me beijou com amor. E depois soltou um bobo sorriso.
- Por que você esta sorrindo?
- Te beijar me deixa feliz.
- Seu bobinho - alisei o rosto devagar - te beijar também me deixa feliz.
- Te beijar anda sendo a minha melhor alegria Julie, como vou viver sem isso?
- Eu não sei Ricardo - meus olhos se encheram de lágrimas.
Depois se sofrer tanto por amor eu tinha desacreditado em histórias como essa, e tinha perdido toda a minha fé de que um dia encontraria meu principe encantado. Homens são todos sempre tão iguais, tão previsiveis, te usam para fazer aquilo que eles querem e depois de descartam. Já com Ricardo comecei a voltar a pensar em contos de fadas e acreditar que eu estava vivendo um. Ele me deixava segura e me fazia sentir como a mais bela de todos. Ele não me deixava com vergonha nem com medo de fazer nada desde que eu estivesse com ele, ele me fazia sentir capaz de tudo. 
- São Paulo não fica tão longe daqui, acho que posso ir te visitar de vez em quando.
- Melhor eu nem contar com isso - disse triste.
Ricardo me abraçou.
- Vamos aproveitar esse momento Julie, e vivê-lo o mais intensamente que a gente conseguir.
Ele me embalou em seus braços e me fez sonhar. Me fez acreditar que aquele momento duraria pra sempre e que aquela felicidade simples e inocente que sentia em meu coração jamais teria fim. Cada toque e cada cheiro daquela noite, estão guardados em meu coração e tenho certeza de que jamais irei esquecer do meu rapaz dos olhos sinceros. ♥

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