Crônicas de um amor perfeito #13

15.1.13


dia passava, naquela velocidade tipo lesma que só quem tem dias entendiantes vai entender o que eu estou falando. Era tarde de sexta e eu era a nova no pedaço! Tinha acabado de mudar para uma cidade nova. Aqui todo mundo tem um sotaque estranho bem diferente do meu, e até isso acaba sendo um motivo para eu me sentir descolada e só. Apesar de todo mundo dessa cidade ter uma simpatia que chega a irritar, continuo com aquele sentimento de "estou fora do ninho" "não vou me encaixar no grupo". 
Caminhei sem graça e sem vontade pelas ruas de paralelepípedo, estudando os caminhos e as diferenças de cada casa e pessoa que passavam por mim. De repente avistei uma bela livraria. Logo aquele impulso bookaholic que só quem é, vai entender. Tomou conta de mim, entrei de supetão na livraria e comecei a viajar em cada parte, em cada estante, em cada metro quadrado daquele paraíso na terra.

- Posso ajudar? - alguém perguntou me fazendo levar um baita susto.
- Eu estou apenas dando um olhada.
- Se precisar de algo, estarei aqui - disse o rapaz dando uma piscadela.

Como eu era literalmente nova no pedaço, sentia uma certa necessidade absurda e incontrolável de dizer isso para todo mundo. Talvez para tentar fazer com que se sentissem na obrigação de me receberem bem...

- Eu sou nova nessa cidade. Acabei de me mudar - disse arrumando um livro que teimava em cair.

O rapaz sorriu, revelando belos dentes brancos dignos de um comercial da Colgate e começou a me ajudar.

- Seja bem vinda a nossa cidade! 
- Muito obrigada.
- Então você é amante da leitura?
- É como se aqui fosse o paraíso.

O rapaz não pode deixar de rir. Ele era pouca coisa mais alto do que eu - minha mãe sempre me chamava de girafa - tinha cabelos negros e profundos olhos castanhos. Ele era simpático como todos naquela cidade. Isso era algo bom, mas ao mesmo tempo revoltante. Como eu poderia me sentir especial por ser tratada com tamanha simpatia, quando eles tratavam todos daquele jeito?

- Eu posso te indicar alguns livros se quiser...
- Sinto muito, gosto de navegar nesse oceano sozinha.
- Ah! - disse o rapaz mostrando certo constrangimento.

Acabei rindo involuntariamente. O rapaz se afastou e começou a organizar alguns livros, sempre que me virava para olhá-lo via que ele estava também me olhando.

Aquele rapaz tão educado e tão atencioso havia feito eu ganhar o dia. Realmente era muito bom saber que ainda existem pessoas como ele.


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