O CURIOSO CASO DO GAROTO (QUASE) AMERICANO

6.6.15

Era manhã de domingo e eu estava nos Estados Unidos presa no hotel e completamente entediada. Na televisão nada conseguia me distrair o suficiente e minha cabeça não conseguia sair do Brasil. O que sera que ele estaria fazendo nesse momento? Sera que ele ao menos pensa em mim? 

Um, dois, tres. Essa foi a quantidade de bipes que meu celular deu. O peguei rapidamente com uma das mãos e notei ser uma notificação do novo aplicativo que eu havia instalado. Ok, aquilo era motivo de vergonha alheia, eu uma jovem falante e saudável recorrendo a aplicativos de relacionamento? Mas, depois da recomendação de varias amigas resolvi arriscar. Minha vida amorosa não poderia ficar pior não é mesmo?

"Hi" dizia um misterioso rapaz de olhos azuis e cabelo loiro. Olhei algumas de suas fotos e resolvi o responder. Começamos então a conversar em inglês e a conhecer um pouco mais um sobre o outro.

Em poucos minutos de conversa ele já tinha me feito rir mais do que eu havia dado risada nos últimos  meses. 

Dai ele me surpreendeu dizendo que queria me encontrar. Por um momento me assustei. Nunca havia marcado encontro com nenhuma pessoa através de aplicativos desse tipo, ainda mais um estrangeiro. 

Como os Estados Unidos é um país bem diferente do Brasil no quesito "segurança" topei o encontro depois da quinta tentativa do rapaz em me convencer.

Claro que estabeleci regras, disse que iríamos caminhar e conversar apenas pelo terreno do hotel onde eu estava hospedada e que nunca ficaríamos em local onde não tivesse pessoas. Também pedi para ele  gravar um video lendo o meu nome para eu ter certeza de que ele era o rapaz das fotos. Depois de dar boas risadas da minha paranóia o tal rapaz aceitou e fez tudo o que eu pedi.

Assim que ele chegou me enviou uma mensagem dizendo que estava no saguão do hotel me esperando. Me olhei no espelho uma, duas, três vezes. Chequei meus dentes, meus cabelos e dei mais uma olhada na minha roupa. Não usava nada nem muito arrumado nem muito desarrumado. Desci as escadas, optei pelo caminho mais longo para poder pensar e respirar minutos antes de encontra-lo frente a frente.

Alguns minutos depois e eu já podia o observar olhando impaciente para todos os lados a minha procura. Ao me ver ele abriu o sorriso mais lindo do mundo. Sorri de volta tentando mostrar a mesma empolgação apesar do medo.

Nos cumprimentamos e na primeira palavra que o ouvi dizendo em inglês soltei a pergunta "Where are you from?" (que significa da onde voce é?) e ele disse: Brasil. 

Tive que conter um riso que teimava a querer sair. "Não brinca!" disse em português o que o fez sorrir de volta. 

Dois brasileiros que se conheceram nos Estados Unidos, como lidar? Começamos a caminhar pelo hotel e pouco a pouco fui conhecendo um pouco mais sobre ele.

Ele morava nos Estados Unidos há tres anos - o que para minhas amigas ja lhe dava o titulo de quase americano.

Ele era extremamente gentil, e entre uma conversa e outra quando percebi ja estavamos nos beijando. Caminhamos mais um pouco pelo hotel e tivemos uma tarde agradável. 

De repente ele disse que estava com sede, entao fomos ate a pequena cafeteria do hotel onde ele insistiu em pagar para mim o que eu quisesse comer. Mesmo eu insistindo que estava sem fome e que não queria nada.

Depois de escolher sua bebida e ele se sentou ao meu lado - não antes de me dar um breve beijo nos lábios.

- Tem certeza que voce não quer nada? - perguntou mais uma vez.
- Absoluta. Muito obrigada!
- Voce é muito linda sabia? - perguntou bebericando sua lata de pepsi.

Aquilo me fez sorrir.

- Voce é extremamente gentil. - disse alisando seus cabelos.
Dessa vez foi ele quem sorriu.

- Sabe, eu queria pegar Doctor Pepper mas, peguei Pepsi caso voce mudasse de ideia e resolvesse beber alguma coisa. Quis pegar algo que tem no Brasil para você não sentir diferença.

Aquilo que me fez corar. Depois sorrir. Depois o puxá-lo para mais um demorado beijo agradecido. Eu precisava disso. Precisava de carinho, de atenção e de cuidados.

Ele só parava de me beijar para sorrir. E depois voltava a me beijar de novo. A noite foi caindo e no outro dia ele teria que trabalhar, enquanto eu teria uma maratona de compras pelas outlets de Orlando. 

Nos despedimos com a promessa de nos vermos pelo menos mais uma vez.

Ele se foi em seu carro prata cuja marca eu não fiz questão de olhar. E eu subi as escadas do hotel com cara de boba. 

Pulei na minha cama suspirando e esperançosa. De repente os homens não eram tao ruins assim... De repente... PUFT! Meu celular vibrou. Era uma mensagem. E era dele!

"Queria saber se voce gostou de me conhecer "
"Como poderia nao gostar?" - respondi.

"Eu quero muito te ver de novo antes de voce ir embora"
"Eu tambem"

Nos dois sabiamos que isso não iria acontecer. Enquanto ele teria que trabalhar eu tinha a minha rotina de parques e compras que infelizmente eu não poderia mudar. 

Depois daquele dia a gente na verdade nunca mais voltou a conversar. Talvez tenha sido melhor assim. Não é? Ele lá,  e eu aqui. Creio que tudo só foi tao perfeito por que foi breve. Tao breve e tao tocante que posso ate fingir que foi um sonho. 

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