Crítica do filme "Negação" (Denial)

12.3.17

Mesmo anos e anos depois dos horrores do Holocausto judeus sofrem por seus antepassados e simpatizantes de Hitler defendem seu ponto e seu conceito de raça ariana. Mas o que aconteceria se alguém negasse que o Holocausto não aconteceu e que os judeus o promovem por pura mídia e lucro? Pois bem, isso aconteceu de verdade.

Em 1993 a escritora e historiadora Deborah E. Lipstad (Rachel Weisz) publicou o livro "Denying the Holocaust" (Negando o Holocausto, em uma tradução direta para o português) onde atacou o trabalho do historiador David Irving (Timothy Spall), que é um negador do Holocausto. Por sentir-se prejudicado, Irving entra com um processo contra Deborah e sua editora, Penguin Books, por difamação na Inglaterra. Segundo as leis britânicas, o réu deve provar a veracidade da acusação, ou seja, ela deve provar que não foram difamações mas que Irving realmente mente sobre o Holocausto não ter acontecido.

"Negação" tem estrutura muito semelhante aos telefilmes que a BBC costuma produzir. O diretor Mick Jackson mantém a história coesa e didática, tentando passar de forma objetiva e sem apelos sentimentais excessivos os fatos de todo o roteiro. Conseguir adaptar um julgamento que durou oito semanas em pouco menos de duas horas é uma tarefa difícil, por isso não foi possível apresentar tantas provas do material que eles recolheram para a defesa. No entanto, nas audiências finais, com um bom ritmo eles conseguiram mostrar como Irving manipulava provas e fatos em favor  de seus interesses e como ele acreditava que o Terceiro Reich tinha apenas feito o que era necessário.


A atuação de Rachel Weisz foi contida, com a quantidade de emoção necessária e sem exageros. Nos passou a ideia de uma mulher com ideias muito fortes e que está acostumada a ter o controle da situação, entretanto a personagem foi apagada e seus advogados, Richard Rampton (Tom Wilkison) e Anthony Julius (Andrew Scott), que chamaram mais atenção. Timothy Spall conseguiu dar vida a um personagem misógino, sexista, racista e antissemita perfeito, criando uma aversão a tudo que ele representa.

Como o Holocausto já foi abordado em tantas obras essa não teve um diferencial que chamasse atenção, no entanto o que chama atenção é o personagem de Spall e o julgamento. Com declarações preconceituosas sobre as mulheres, sobre negros e sobre judeus ele é um homem desprezível, mas que ainda tem seguidores. O público acha isso um absurdo e durante a exibição do filme para a imprensa ele reagiu com desprezo sincero e zombaria por todo o discurso de Irving, mas em tempos em que vemos políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro com tantos seguidores percebemos que por mais que esteja na cara, algumas pessoas gostam de moldar os fatos como as convém e negam a realidade: de que apoiam monstros.

O longa estreia em 9 de março de 2017.

3/5

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