26.5.17

Crítica do filme "Z - A Cidade Perdida"


É no início do século XX, mais precisamente no ano de 1905, que começa a história de "Z - A Cidade Perdida" de James Gray, inspirada no livro homônimo de David Grann.

LIVRE DE SPOILERS

O arqueólogo e explorador britânico Percy Harrison Fawcett (Charlie Hunnam) foi responsável por mapear a região da Amazônia (regiões de Brasil e Bolívia) em uma expedição organizada pelo Royal Geographical Society. Foi então que ele descobriu indícios de uma possível cidade, a qual chamou de "Z", e dedicou anos para provar sua existência até sua última expedição em 1925 com seu filho, Jack Fawcett (Tom Holland), em que desapareceu.

A motivação de Percy durante o filme para sua aventura sofreu alterações. Primeiramente, ele tem como objetivo recuperar a honra da família, que fora perdida por conta de seu pai com bebidas e jogos, posteriormente ele queria mostrar que os selvagens eram mais do que os britânicos acreditavam e por fim apenas queria provar sua lucidez.

As paisagens e a caracterização dos indígenas foram respeitadas em tela. A trilha sonora foi composta por sons simples e característicos da floresta, passando uma sensação de tranquilidade e também de desconhecido. Outra coisa que chamou atenção foi o uso do português e do espanhol, coisa muito importante para respeitar o contexto histórico.

O longa mostra um explorador pacífico e honrado, Fawcett refere-se aos índios como iguais, mas ao mesmo tempo em suas viagens não criou nenhum interesse pela cultura deles. Apesar de expressar choque sobre como os nativos sofriam com a escravidão era claro que seu interesse não eram as pessoas, mas era achar "Z".


Para trás o protagonista deixou sua família composta pelos três filhos, o mais velho o acompanhou em sua última jornada, e sua esposa, Nina (Sienna Miller). Essa mulher com grande potencial desempenhou papel como matriarca já que o marido tinha intensas viagens e pode ser considerada como à frente de seu tempo, mas ela teve pouquíssimo destaque no filme.

Charlie Hunnam conseguiu encarnar o personagem muito bem ao mostrar a objeção do explorador e seu amor pela fantasia alimentada. O que faltou para completar a atuação foi um ápice de loucura, perda da razão, pois ele sofria uma pressão interna e externa por resultados, mas esse momento não veio por conta da direção.

As atuações de Robert Pattinson, como Henry Costin - um dos companheiros de Fawcett - e de Tom Holland foram breves, porém bem executadas. O primeiro conseguiu passar o companheirismo entre ele e o protagonista, já o jovem Holland exprimiu toda a angústia de um filho que só queria a companhia do pai.

Grann teve na mão a possibilidade de um filme de aventura a exploração à moda antiga. Mas, intencionalmente ou não, ele focou muito mais em como Fawcett queria convencer o "homem branco" e menos na vivência na floresta do aventureiro. Por sorte as atuações salvaram o roteiro e fazem com que filme não seja uma missão totalmente frustrada.

O longa estreia dia 1 de Junho de 2017.

3,5/5

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