CRÍTICA DO FILME 'EM RITMO DE FUGA' (BABY DRIVER) COM ANSEL ELGORT

17.7.17

Todo ano Hollywood nos enche com seus filmes de ação policial, envolvendo roubos a bancos, perseguição em alta velocidade e uma pequena dose de drama para criar empatia nas histórias. Em Ritmo de Fuga possui todas essas narrativas, mas seu diferencial está na execução da obra.

LIVRE DE SPOILERS

O mais novo filme de Edgar Wright (Scott Pilgrim vs The World), conta a história de Baby (Ansel Elgort) um jovem piloto de fuga que trabalha para Doc (Kevin Spacey), onde planeja a execução dos crimes contando com vários criminosos. O personagem de Ansel – que nos fez chorar muito em A Culpa É das Estrelas – é apresentado com seu jeito quieto e muito observador, o que nos cria um mistério sobre certas questões que ao decorrer do filme são explicadas. O time de criminosos conta com Griff (Jon Bernthal), Buddy (Jon Hamm) e sua companheira Darling (Eiza González), apresentados na primeira cena de fuga que nos mostra a habilidade de Baby. É nessas cenas de ação que a trilha sonora se torna uma parte mágica e descolada do filme.

A música tem grande participação no filme e se torna parte da narrativa. Baby possui um problema de audição e usa seus fones de ouvido para ocultar ruídos, o que aproxima mais a sua conexão com a música e fortalece suas lembranças de infância. O jovem piloto de fuga combina perfeitamente uma batida de música com a fúria dos pneus, desde um carro esportivo até um carro familiar. Em certos momentos, Baby se encontra no dilema de viver uma vida acelerada e com dinheiro fácil, mas do outro lado conta com os conselhos de Joseph (CJ Jones) para manter o garoto com o pé no chão. Seus planos e visões do futuro começam a mudar e inspirar com a chegada de Debora (Lily James), a personagem cativa Baby em poucos minutos de tela e vira uma grande responsável por momentos decisivos para o protagonista.


Bats (Jamie Foxx) aparece como o “vilão” do filme e compartilha a mesma opinião que a maioria dos criminosos, desconfiando do jeito quieto de Baby e o mesmo acontece quando não concordam com óbitos nas cenas de crime. O filme faz um contraste interessante de momentos em que percebemos que Baby não é mais um número no meio daquele mercado, ele realmente não pertence no mundo do crime e tenta manter seus valores acima de tudo. Wright combina com maestria o musical de ação direto dos iPods de Baby – que possui cada um para determinado humor – a música se conecta em todas as cenas transparecem emoções do personagem e tensão nos minutos de perseguição policial. A música vira assunto para os personagens também, cada um com seus gostos e compartilhando com um único objetivo de interação. O tom de comedia é bem representado pelos personagens, com algumas piadas bobas, mas acaba funcionando no contexto.

A trama é muito bem estruturada e o único ponto negativo é o desenvolvimento da personagem de Lily, que fica devendo uma profundidade e desenvolvimento maior, que faça o telespectador criar um vinculo. Ansel por outro lado, nos entrega um dos personagens mais interessantes do ano, com sua performance muito bem executada.

Em Ritmo de Fuga nos insere em um mundo onde a música move cada batida de nossos corações, como se cada momento precisamos de uma música especifica para viver aquela sensação. Wright conseguiu entregar um filme fora de qualquer caixa, e apenas devemos agradecê-lo pelo filme mais cool de 2017.

O filme estreia dia 27 de Julho.

4/5

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