CRÍTICA DO FILME 'O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS' (THE BEGUILED) DE SOFIA COPPOLA

31.7.17

A releitura de Sofia Coppola do filme homônimo de 1971, conta a história de um internato feminino que tem seu ambiente abalado com a aparição de um soldado ferido durante a guerra civil americana. Encontrado no bosque por uma das alunas, o cabo John McBurney (Colin Farrell) é levado à escola de garotas de Martha Farnsworth (Nicole Kidman) para se curar, porém o soldado acaba criando conflitos nesse processo.

A trama segue a perspectiva das personagens femininas, suas personalidades são interessantes e multifacetadas. Nem todas são aprofundadas devidamente, mas a história faz com que continuem instigantes durante o andamento da obra.

O roteiro é bem feito e tem ritmo próprio, há muitos diálogos, mas em nenhum momento eles se tornam cansativos, são sempre intrigantes e despertam curiosidade. A narrativa é lenta, principalmente no primeiro ato, e demora um pouco para que a história ganhe vida, mas o desenvolvimento é bem feito, há sempre a impressão de que algo ruim vai acontecer, mas o espectador nunca tem certeza de quando. No entanto não há grandes surpresas, mesmo com o tom de mistério, não é difícil desvendar o que acontecerá até o fim do longa.



A direção de Coppola é caprichada, não é a toa que foi a vencedora de melhor direção em Cannes, sendo a segunda mulher a ganhar o prêmio na história. Sofia conduz muito bem a trama e o elenco, ela estabelece muita tensão, tanto de apreensão quanto a sexual. Sua delicadeza impressiona, deixando toques bem sutis na obra e críticas nas entrelinhas. A direção também auxilia na ambientação, que é muito bem feita, e nas discussões que surgem por meio das mudanças nas relações sociais entre os personagens após a chegada do soldado no internato.

A estética é linda, a fotografia cuidadosa e delicada é feita especialmente para a telona. A direção de arte e figurino são de encher os olhos, assim como as tomadas em ambientes abertos. Os enquadramentos também são bem escolhidos e casam com o tom de suspense.

O elenco é muito competente, Nicole Kidman dá um show, é a que mais se destaca entre os personagens e tem muita presença. Kirsten Dunst impressiona, principalmente quando está junto do personagem de Colin Farrell, que também é eficiente no papel do ambíguo John. As performances de Elle Fanning, Oona Lawrence e as demais garotas, também são eficazes. 


O filme é diferente do que a maioria pode imaginar, o trailer vende uma imagem mais visceral e chocante. Já a obra em si é mais lenta e psicológica, no entanto isso não significa que seja cansativo, com apenas 1 hora e meia de produção, o filme passa rápido, pois Coppola faz com que apesar do ritmo a história continue envolvente.

O estranho que nós amamos não chega a ser tão marcante quanto outras obras da diretora, mas é muito interessante e possui uma estética belíssima.

A trama tem um pontapé simples, no entanto a história de um grupo de mulheres que acolhe o soldado ferido vai ganhando corpo e se tornando cada vez mais intrigante e chamativa, encantando principalmente os fãs de obras de época. O filme chega aos cinemas no dia 10 de agosto.

 Nota: 4/5

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