5.7.17

CRÍTICA DO FILME 'SOUNDTRACK' COM SELTON MELLO E RALPH INESON


Soundtrack conta a história de Cris (Selton Mello) um artista e fotografo que se inscreve em um programa governamental para passar 12 dias na estação de pesquisa polar, onde seu objetivo é retratar as sensações de determinada música por meio de selfie. Cris se aloja no contêiner de Mark (Ralph Ineson) um cientista que trabalha em sua pesquisa sobre aquecimento global. Cao (Seu Jorge) é o botânico do acampamento e brasileiro, com quem Cris se refugia com a língua portuguesa. Huang (Thomas Chaanhing) é biologo e Rafnar (Lukas Loughran) como pesquisador.

LIVRE DE SPOILERS

No primeiro momento há uma certa indiferença de Cris com seus colegas de acampamento, questionando do por quê alguém sairia de sua confortável casa para tirar selfies no meio do Ártico. O personagem de Ralph é o primeiro a levantar essa questão, por não entender a vontade de expressão artística que Cris tanto busca. Nos diálogos intensos entre os dois personagens conseguimos perceber fraquezas em ambos os lados. Mark se mostra com personalidade forte e sofre com a distância da família, o que faz com que Cris entenda algumas posturas rígidas no início do filme. Huang, o chinês biólogo, também surge como uma incógnita para Cris que passa quase metade do filme tentando se aproximar do colega. Mesmo o filme tendo uma abordagem dramática, os momentos de alivio cômico causados pelo personagem de Seu Jorge, Cao, nos dá um alivio na atmosfera fria da trama.

O ponto principal do filme é desenvolver as relações humanas e nos trazer questionamentos, levantando o debate sobre solidão e o que fazemos quando nos sentimos perdidos. A narrativa altera da história de Cris para os outros membros do acampamento com muita eficaz. Em certos momentos, o protagonista irá agir de um jeito peculiar acreditando ser alguma performance artística, mas em uma das cenas de tirar o ar, nos faz entender o motivo de tal comportamento. A direção do filme é muito bem executada e o cuidado para recriar um clima gélido e pouco amigável, nos imerge na experiência ia de viver durante meses em uma estação polar.

Destaque para as atuações de Selton Mello e Ralph Ineson, com diálogos concentrados e uma construção de amizade convencível. A trilha sonora é adequada para momentos em que exigem mais da atenção do telespectador e sabe nos conduzir em cenas relaxantes, de pura apreciação.

Cabe a nós esperar que o cinema nacional continue com incentivos e produções criativas e fora do clichê. Soundtrack é um belo exemplo de drama lidando com questões existenciais, que ao mesmo tempo não perde sua narrativa artística se mesclando com a ciência e religião.

O filme está previsto para 6 de julho.

 4/5

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