CRÍTICA DO FILME 'O CASTELO DE VIDRO' COM BRIE LARSON

22.8.17

Baseado no Best-seller homônimo de Jeannette Walls, O Castelo de Vidro narra as lembranças da jornalista durante a infância e adolescência no convívio de uma família disfuncional.

Emocionante sem ser melodramático, o novo drama de Destin Daniel Cretton, diretor do excelente Short Term 12, traz uma história dolorosa e interessante, conquistando principalmente os apaixonados pelo gênero dramático. A direção de Destin, junto a uma edição dinâmica dá bom ritmo ao filme, apesar de 2 horas de produção, a trama envolve, não se torna cansativa em momento algum e parece passar com rapidez. 

Destin também consegue manter o longa equilibrado, a obra vai se aprofundado ao decorrer do filme, desenvolvendo relacionamentos e personagens. A trama é tocante e contada com um tom sóbrio, mesmo sem esconder o afeto que os personagens têm pelo pai Rex (Woody), a perspectiva não se torna lúdica ou romantizada, mostrando a realidade de uma família desequilibrada. Os Walls se amam, mas sua relação é tóxica, expondo os filhos à fome, pobreza, e obrigações adultas.

O desenvolvimento da historia é eficiente, o filme passeia entre passado e presente de forma orgânica, não incomoda o espectador. As passagens de tempo são eficazes, bem montadas e vão tornando a trama cada vez mais profunda e realista. Nem todas as ações dos personagens são justificáveis no desfecho, no entanto é emocionante.


Jeannette é uma mulher em conflito, marcada por uma relação conturbada com o pai, é possível enxergar as lutas internas da personagem. De forma perfeita Brie Larson consegue passar tudo isso ao espectador, suas expressões impressionam e não precisam de diálogos a todo momento para que os seus pensamentos sejam compreendidos.

O restante do elenco também é muito competente, Woody Harrelson apresenta uma interpretação habilidosa como um pai que tenta ser amoroso, mas que é perdido e desequilibrado. Sua performance impressiona e é cheia de nuances, é possível odiar e condenar dezenas de suas ações cruéis e abusivas, mas também há cenas que despertam piedade.

Naomi Watts também tem um desempenho elogiável, sua participação é envolvente, mas não chega a roubar cenas como Woody e Brie, que estão excepcionais e marcantes. O elenco mirim e adolescente também trabalha muito bem.

Há coisas que deixam a desejar, como a ambientação, apesar de termos uma noção da época em que a história se passa, devido ao figurino, essa ideia ainda é nebulosa e só fica realmente clara nos créditos finais. Outra coisa que não satisfaz totalmente é a caracterização dos jovens, os atores são os mesmos que interpretam os personagens na fase adulta, então nem todos conseguem convencer como adolescentes.

Com uma trama intensa e sensível, O Castelo de Vidro aborda difíceis relações familiares e traz interpretações impressionantes. Não chega a ser um filme para todos os públicos, porque pode ser cansativo para os que não gostam de drama, mas para os fãs do gênero é uma ótima opção.

A produção chega aos cinemas dia 24 de agosto.

4/5

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