CRÍTICA DO FILME 'BLADE RUNNER 2049' COM RYAN GOSLING E JARED LETO

5.10.17

Após 30 anos do primeiro Blade Runner, Denis Villenueve – conhecido por A Chegada, Sicario, Prisioneiros - resgata a história e parte para uma continuação, acrescentando o típico tom que vimos em 1982 quando o longa dirigido por Ridley Scott na época, aperfeiçoando traços e tornando a experiência completa.

LIVRE DE SPOILERS

Desta vez, acompanhamos o Agente K (Ryan Gosling) responsável por caçar replicantes antigos, denominado de Blade Runner. A trama se inicia com K questionando um ex-militar que lhe dá a abertura para uma nova e densa investigação. Com a queda da Tyrell Corporation, Niander Wallace (Jared Leto) construiu um império de novos modelos e comportamento de androides e realidade virtual, onde acaba se envolvendo com os mistérios que K tenta descobrir. A volta de Harrison Ford como o aposentado Rick Deckard é explicativa e se conecta com os enigmas de K.

Explicar por detalhes da nova narrativa pode estragar a experiência do receptor. Em sua 2 horas e 43 minutos de filme, o sci-fi consegue prender a atenção por cada detalhe apresentado. Com metáforas de Wallace desde o psicológico de K, conseguimos transitar com ótimos diálogos sobre o que é real e até onde seres com o mínimo de consciência conseguem expandir suas culturas e fazer uma interpretação direta.

A visão de vida que acompanhamos do Agente K é deprimente, vazia e nos faz pensar se em algum momento aquilo se tornaria uma realidade. Para a atmosfera do filme é comum, e vemos os próprios androides interagindo com a mesma tecnologia que são feitos. O romance de K com Joi (Ana de Armas) é doce e sutil ao mesmo tempo. 


A personagem nos cria uma aura que faz flutuar com a imaginação, com a inocência de encontrar o amante na volta para casa e na ousadia nos momentos mais íntimos. Por se tratar de um filme com quase 3 horas de duração, o mais novo querido dos amantes de sci-fi acaba ficando arrastada. Esses momentos são justificáveis por contemplação, mas, que por outro lado deixa o filme mais pesado. As atuações de todo o elenco são de encher a grande tela.

Destacando Ryan Gosling que consegue perfeitamente captar a essência de K, um personagem que precisar lidar com os problemas de fora e se questiona daquilo que é e o que está fazendo. Jared Leto continua crescendo no cinema e novamente temos uma atuação firme e profunda. Sem tirar nenhum mérito das atuações e enredo, o grande protagonista do filme acaba se tornando a fotografia absurda e impecável. A cada enquadramento é de aquecer o coração de um cinéfilo. As paletas organizadas corretamente destaca a beleza de Blade Runner, com direito ao neon clássico, estilo cyberpunk e abusando de cores quentes no terceiro ato. A direção de arte gritante se encontra perfeitamente com a trilha sonora de Jóhann Jóhannsson e Hans Zimmer, que pode nos levar a momentos de calmaria até o ápice em poucos segundos.

O que Villeneuve sabe muito bem trabalhar em questões humanas, supera todas as expectativas neste filme. Respeita o passado de Deckard e prepara K para um futuro promissor, lidando com questões futuristas sobre o pensamento individual e os milagres da tecnologia que podem criar milhares de seguidores. Blade Runner se torna um filme muito maior do que se propõe, elevando todos os aspectos de arte e filosofia a pontos essenciais para hoje em dia.

Nota: 4,5/5
Distribuição: Sony Pictures
Estreia: 5 de outubro

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