17.11.17

CRÍTICA DO FILME "DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS"


Baseado no aclamado e clássico livro de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos é a mais nova adaptação da obra para o audiovisual. Adaptado pela primeira vez para o cinema em 1976, com Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça no elenco, o filme foi recordista de público e por muitos anos ocupou o primeiro lugar no posto de filme mais visto no país, até o lançamento de Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro. Será que a mais nova adaptação alcançará tal marco?

LIVRE DE SPOILERS

O filme conta a história de Flor (Juliana Paes), que após um período de luto pela morte de seu primeiro marido, o festeiro e boêmio Vadinho (Marcelo Farias), se casa pela segunda vez com o farmacêutico Dr. Teodoro (Leandro Hassum). A vida de Flor muda completamente após o casamento, pois apesar de Teodoro trazer a paz e segurança que Vadinho não trazia, um fator a incomoda e abala sua relação interior com o farmacêutico, sua vida sexual. Com Vadinho, Flor realizava os maiores desejos que a permeava, mas com Teodoro, a mesmice começou a se tornar recorrente. E é com isso, que o Vadinho retorna para a vida da moça em forma de um fantasma que só ela enxerga, e assim, a jogando em um triângulo amoroso sobrenatural.

Logo na primeira cena, presenciamos a morte de Vadinho em uma sequência dramática que, para o público que não possui conhecimento da história, pode chegar a gerar dúvidas sobre qual o gênero de filme que irão assistir. Mas, isso logo passa e o filme se torna uma comédia com humor típico de novela das 6. Ambientado na Salvador dos anos 40, o filme consegue passar a ambientação daquela época de forma precisa, mas nada extraordinário e que não tenha se visto melhor nas próprias novelas das 6.

O resto do filme é uma enxurrada de cenas de sexo bem filmadas, mas pelo excesso acabam se tornando cansativas e repetitivas. A nudez está presente em todo o filme, e que no ato final recebe a presença de um Marcelo Farias inteiramente nu em todas as cenas em que aparece para Flor como fantasma. O ator, confortável no papel, não demonstra se incomodar com isso e nem com suas partes íntimas expostas na tela mais de uma vez. 


Marcelo é um dos pontos positivos do filme, o ator interpreta um Vadinho sarcástico, usando sempre caras e bocas para trazer a vida um homem rude, mas que depois da metade da projeção o personagem perde a força e acaba ficando caricato e repetitivo. Vale ressaltar a romanização de um dos piores atos do personagem que é completamente esquecido na cena seguinte. Leandro Hassum é o mais fraco do trio, e entrega um Dr. Teodoro que não se distancia tanto de outros personagens que já estamos acostumados a ver vindo dele. 

Juliana Paes é, com certeza, o ponto mais forte do filme. Longe de estar em um dos melhores papéis de sua carreira, a atriz entrega bem tanto as cenas dramáticas (que são poucas) quanto as cômicas, mas por falta de um roteiro melhor a atriz fica presa no que é proposto e não consegue expor o grande talento que possui.

E, com isso, chegamos ao grande problema do filme, o roteiro. O diretor, Pedro Vasconcelos, contou na coletiva de imprensa que não escreveu nada dele, e que, na verdade, o roteiro é uma costura de trechos do livro. O problema talvez esteja aí. Tentando trazer a maior fidelidade possível do livro para as telas, o filme acaba sendo uma grande montagem de quase 2h de duração com os melhores momentos do livro, mas que perderam a força e o impacto na tela grande.

A trilha sonora deixa tudo mais fraco, as músicas, apesar de boas, acabam se tornando mal colocadas, desconexas e repetitivas. Não há originalidade aqui, e repetindo o argumento de novela das 6, fica parecendo que estamos assistindo à uma em que quando um dos personagens principais entra em cena a música tema dele entra junto. Mas, o que funciona nas novelas, não funciona da mesma maneira aqui.

No fim, acabamos vendo um filme sem originalidade, colocado no piloto automático, sempre tentando fazer jus à obra original e ficando atrás de outras adaptações da mesma. É dispensável e com certeza não marcará o cinema brasileiro que nem o de 1976 marcou.

Crítica escrita por Gabriel Granja.

Nota: 3/5
Distribuição: Downtown Fimes
Lançamento: 23/11/2017

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