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CRÍTICA DO FILME '7 DIAS EM ENTEBBE' DIRIGIDO PELO BRASILEIRO JOSÉ PADILHA


Baseado em fatos, o filme dirigido pelo brasileiro José Padilha relata os acontecimentos de julho de 1976, quando um voo da Air France de Tel-Aviv à Paris foi sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus foram mantidos reféns para ser negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. Sob pressão, o governo israelita decidiu organizar uma operação de resgate atacar o campo de pouso e soltar os reféns.

Embora traga uma trama supostamente interessante, envolvendo o conflito longínquo palestino-israelense, o filme se torna monótono, onde os conflitos não são suficientes pra criar a atmosfera que Padilha tenta construir, mas acaba por falhar num projeto que não acompanha seu diretor. Essa frustração também está presente no elenco, que assim como Padilha, são bem sucedidos em suas funções, entretanto vão de embate com uma narrativa e objetividade (quando se trata de seus personagens) que não os favorece.


O drama do filme flui entre diversos pontos de vista, mas focando essencialmente em dois: sequestradores e as autoridades. Essa fragmentação dos relatos contribui negativamente para uma construção psicológica maior dos personagens, que muitas vezes demonstram um caráter mais arquétipo por sua abordagem limitada e apressada, entretanto consegue um feito positivo quando propõe a humanização (especialmente ao se tratar dos sequestradores), propondo – mesmo que superficialmente – uma empatia ao não determinar culpados, não dando espaço pro maniqueísmo. O filme debate o caráter político-social, até mesmo religioso, inerente à situação sem defender ou apresentar justificativas, se atendo unicamente aos acontecimentos vividos durante aquela semana. Conseguindo apresentar de maneira sucinta a complexidade envolvida no evento, mas não ao ponto de se tornar didático.

7 dias em Entebbe’ é um filme sobre negociação, ao ponto que esquece de possibilitar qualquer recurso na narrativa que propicie uma escalação por se ater justamente em seu objetivo: relatar os acontecimentos. O que fica evidenciado ao criar uma humanidade, mas não ao ponto de criar uma ligação entre os personagens e público, consequentemente causando um distanciamento da obra. Embora a montagem do filme aliada ao trabalho de Padilha junto da trilha sonora tente por diversas vezes criar uma oportunidade de crescimento, os poucos momentos se dão pelas cenas de ação e no clímax, mas que num todo não causam um impacto significativo, levando o trabalho do brasileiro ao caminho da padronização gênero.

Citando o clímax, um dos maiores momentos do filme se dá neste momento por meio de uma metáfora – onde, intercalada com a ação dos militares – vemos uma apresentação de dança contemporânea, possibilitando um alívio, mesmo que reflexivo nos paralelos ali sugeridos, em um filme pragmático.

A produção é uma junção dos fragmentos de relatos e, por esse feito, se atém fielmente a eles sem se preocupar em criar uma narrativa cinematograficamente interessante, optando por uma visão documental, onde os aspectos técnicos não conseguem liberdade para uma trama exponencialmente dramática que cative o expectador da maneira que propõe em seu primeiro ato. Ainda assim, os elementos que Padilha trás consigo acabam por manter uma expectativa, por mais tímida que ela permaneça, em um filme apático e sem surpresas.

Nota: 2,5/5
Estreia: 19/04

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