15.4.18

JOSÉ PADILHA E 7 DIAS EM ENTEBBE: MUITO ALÉM DA CORRUPÇÃO E POLÍTICA NACIONAL


O mais novo longa do diretor José Padilha, foge das convenções em tratar de temas nacionais como corrupção e política. Nesta nova empreitada o diretor trata de temas que causam estranheza ao público brasileiro, terrorismo e Oriente Médio. Com uma equipe predominantemente estrangeira, o toque brasileiro fica por conta da trilha sonora de Rodrigo Amarante, da banda Los Hermanos, parceiro de Padilha no seriado Narcos, Lula Carvalho na fotografia e Daniel Rezende na montagem. 

Os destaques da produção são os atores Daniel Bruhl e Rosamund Pike, reconhecidos e acalmados por suas carreiras e que arrematam a produção do brasileiro.

"Quem tem o direito de usar essa palavra? (Terrorismo) ”

Produções que retratam o conflito no Oriente Médio tendem a retratar a posição militar e sua visão, em 7 Dias em Entebbe retrata a visão dos terroristas e dos sequestrados, além dos bastidores da operação militar.

Baseado em uma história real e em um livro do inglês Saul David. Relata o sequestro do voo da Air France de Tel-Aviv à Paris, que foram forçá-los a poucas em Entebbee, na Uganda. Os passageiros judeus foram mantidos reféns para ser negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. Sob pressão, o governo israelita decidiu organizar uma operação de resgate atacar o campo de pouso e soltar os reféns.

Utilizando de metáforas, o diretor utilizou como artimanhas diferenciadas para a realização do projeto. A coreografia das cadeiras, dança israelita com roupas ortodoxas, movimentos que remetem autoflagelação, alguns bailarinos começarem a retirar os trajes e outros não, os que não tiram ficam desfalecendo das cadeiras, como uma metáfora de que enquanto não tiram as vestes ortodoxas não são capazes de se libertarem. Outra dança, utilizada como metáfora, consiste em uma pessoa que fica correndo em uma esteira e nunca chega a lugar nenhum, relacionando com as tentativas de paz no Oriente Médio.

Mesmo o foco do longa não sendo o ordinário das produções do diretor, os assuntos corrupção e violência não faltaram no bate papo. Como tratada em produções anteriores, essa corrupção não é algo que ocorre de vez em quando, mas uma prática que sempre existiu.

“Corrupção é de esquerda e de direita. ”

Padilha não deixou de comentar a execução da vereadora Marielle Franco, morta a tiros na quarta feira (14). O diretor cita:

“Vejo um processo recorrente, assassinato silencioso de milhares de pessoas... polícia despreparada, corrupta e violenta, o próprio Brasil produz policias violentos. ”

E ainda complementa:

“Violência não é sinônimo da pobreza. ”

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