Crítica | Filme "Tully" traz Charlize Theron como você nunca viu

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Marlo (Charlize Theron), mãe de três filhos, sendo um deles um recém-nascido, vive uma vida muito atarefada, e, certo dia, ganha de presente de seu irmão uma babá para cuidar das crianças durante a noite. Antes um pouco hesitante, Marlo acaba se surpreendendo com Tully (Mackenzie Davis).

A premissa do filme, que foca na maternidade da protagonista e em seu cotidiano, apesar de aparentar trivialidade justamente pela simplicidade de seu tema, possui elementos espontâneos que tornam o longa singular, excepcionalmente por sua abordagem sincera e empática acerca dos obstáculos anfêmeros e das crises de Marlo – enriquecendo a mesma com uma comédia efervescente que provém justamente desses pequenos momentos, aproveitando cada dramaticidade recorrente das situações, principalmente na entrada do fator Tully, onde a relação das personagens trás consigo o conflito necessário, assim como a chave excêntrica que acaba por ser umas das marcas desse projeto.

As personagens de Charlize e Mackenzie são o foco da trama – funcionando em perfeita sintonia, como toda relação de protagonista e antagonista deve por função – onde acabam por se destacar de um todo, tanto quanto em tempo de tela como também por seu trabalho. As atrizes, junto do diretor Jason Reitman, conseguem realizar um trabalho dinâmico, entretanto sem abandonar a sensibilidade, numa mistura bondosa entre bom humor e ternura.



A força do longa se dá seus pequenos detalhes, principalmente nos conflitos apresentados pelo elenco secundário, onde cada particularidade funciona para o terceiro ato do filme. Neste momento a trama acolhe a amplitude emocional e a complexidade do humano em sua forma mais frágil de maneira despretensiosa, seja por sua verossimilhança ou empatia com o tema, resultando em um filme relevante dentro de seu gênero.

Embora apresente algumas possíveis dificuldades em desenvolver algumas ideias, especificamente no que se propõe durante a conclusão do projeto, a trama não se distancia de seus objetivos mesmo que cause um estranhamento, onde a questão desenvolvida até então acaba por ganhar uma ênfase inesperada, evidenciando o debate acerca do amadurecimento e as consequências da vida adulta, especialmente quando se é mãe.

O trabalho excepcional de Charlize Theron e a honestidade da trama acolhem o expectador ao mesmo tempo em que expõe os seus problemas, de forma sutil e cativante, encontrando a beleza na confusão que engloba o ser humano.

Tully’ chega aos cinemas em 24 de maio.

Nota: 3,5/4