Crítica | Filme "O Grito" não surpreende mas, traz alguns sustos

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O Grito (The Grudge), filme dirigido por Nicolas Pesce, um jovem diretor americano, conhecido por seus filmes de terror, apesar de possuir apenas 4 anos de carreira – seu primeiro filme foi “Os Olhos de Minha Mãe” 2016 - e produzido por Sam Raimi, é um reboot (nova versão) do filme de mesmo nome lançado no ano de 2004 pelo diretor Takashi Shimizu e produzido também por Sam.

Como todo e qualquer reboot o filme sofre de um problema: a falta de novidade. Refazer uma história não é tarefa fácil, afinal sempre se divide entre permanecer fiel ao original ou introduzir algo de diferente - que pode ou não dar certo - e O Grito ficou com a primeira opção. 

Mesmo que Pesce tenha prometido um filme mais fundamentado e realista não é exatamente o que presenciamos, o que podemos ver é um filme que segue os atuais padrões de terror, o que não significa que o filme seja de todo ruim.
Talvez reutilizar Raimi como produtor tenha sido um tiro pela culatra - apesar de toda a sua experiência – aliás, o mesmo produtor e o mesmo filme, resultaram em um mesmo roteiro.

O filme relata a história de uma policial (Andrea Riseborough) que ao tentar resolver o caso de um assassinato ocorrido há 2 anos com a ajuda de um detetive (Demián Bichir), descobre que a casa em questão é assombrada. A partir disso uma série de acontecimentos decorrem, e é possível através das atuações impecáveis sentir a tensão e o suspense.

No quesito atuação o elogio vale não apenas aos protagonistas, mas também á todos os personagens que tiveram impecáveis performances. Destaque para Lin Shaye, que com todo seu histórico em terror - a atriz participou dos filmes de Sobrenatural - soube dar vida a sua personagem de forma encantadora.


Para entender a narrativa é preciso saber que a história narra através de 3 anos diferentes histórias que se conectam, e que brilhantemente se transformam em um único caso (ponto para o roteirista) juntando todas as pontas sem que nada fique sem explicação.

Na questão do terror, ou melhor falando, dos sustos o filme nos oferece isso em pelo menos uns 10 pontos. Porém, me atrevo a dizer que os sustos são previsíveis e que a trilha sonora, que cá entre nós é perfeita, é responsável 50% por estes, dando o clima para o filme. Faça o teste, assista a esse mesmo filme com e sem som e perceba: os sustos não aconteceriam sem ele.

O jogo de câmeras, responsável pelos outros 50% dos sustos, também é impecável em O Grito - apesar de ter existido alguns cortes sem sentido, que retiraram a tensão e chegaram até mesmo serem cômicos - a mudança de olhar proposital proposto pelas câmeras cumpriram seu papel de nos fazer enxergar aquilo que deveria ser enxergado.

Ainda se referindo a parte mais técnica, e para finalizar essa crítica, gostaria de ressaltar e parabenizar a escolha de cores do filme. Por se tratar de um terror é nítido que a escolha de cores neutras é proposital. Não se encontra na narrativa cores vividas, e a paleta escolhida é também um dos elementos chaves para o contar da história e algo que me chamou bastante atenção. Fotografia perfeita.

Resumindo, o filme pode não ter nada de muito novo, mas quem assiste terror atualmente já vai no cinema sabendo o que esperar: tensão, sustos colocados e um caso cheio de enigmas que prende nossa atenção até ser resolvido.

Nota: 2,5/5
Estreia: 13/02
Distribuição: Sony