Crítica | Nova série da Netflix "Emily In Paris" é decepcionante e não agrada

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Nem o cenário deslumbrante, as roupas fabulosas ou a atriz talentosa, foram capazes de fazer da nova série da Netflix, Emily In Paris, um sucesso. Estrelada e produzida por Lily Collins (Os Instrumentos Mortais e Simplesmente Acontece) a série lançada no último dia 2 de outubro, possui conteúdos preconceituosos e xenofóbicos, e uma história vazia. Apesar da alta expectativa colocada na série antes de sua estreia, Emily In Paris decepcionou e se mostrou até mesmo desnecessária. 

A série de 10 episódios com duração entre 25 a 35 minutos, conta a história de uma profissional do marketing que se muda de Chicago para Paris, para trabalhar em uma agência de publicidade e fornecer o ponto de vista americano aos franceses em seus projetos, para dessa forma alcançar o público estadunidense. 

Inicialmente a ideia parece ser boa para a série. Trataria basicamente de lutas feministas contra o sexualismo enrustido, como visto logo nos primeiros episódios, mas, ao ser bem analisado, o conteúdo de preconceito e xenofobia já começa por essa questão. O ponto de vista americano de Darren Star - diretor da série - coloca nos franceses características sexualistas repugnantes. E para piorar, o que antes era para ser uma "luta" contra essas questões acabam sendo perdidas no decorrer da série, ou seja, tornou-se um ataque por puro ataque.

Emily inicialmente é contraria a esse sexualismo, mas, depois se torna contraditória ao começar a se "engraçar" e se envolver com todos os homens que aparecem. Misturando até em algumas situações, profissionalismo com romance, o que é condenável por ela no inicio da série. Perdendo assim a identidade. 

Entretanto, o conteúdo de estereótipos não para por ai, Darren e toda a produção de Emily In Paris continuam a descrever os franceses, mais precisamente os parisienses, como preguiçosos, mal educados e arrogantes, além de fazer criticas, disfarçadas de humor, a cultura do país. O que era para ser uma série leve e divertida, acaba sendo uma série de clichês sobre um povo, vistos de um ponto de vista de outro povo. A série como um todo não seria ruim, se não batesse tanto nessa tecla dos esteriótipos.

Outros pontos, no entanto, também transformam da nova produção do streaming uma decepção. A relação amorosa da personagem principal, por exemplo, não é - pelo menos da minha parte - para se torcer a acontecer. O envolvimento entre ambos se inicia de uma forma conturbada, e com o decorrer da história sente-se a necessidade de um ponto final, aliás, não é só a relação entre eles que está em jogo. Pode chamar de careta essa visão, ou então se afirmar a normalidade desse tipo de relação em filmes e séries clichês adolescentes, e eu concordo plenamente, ainda assim não vejo como algo a ser enaltecido. Infelizmente, por questões de spoilers, não posso me aprofundar na questão, já que a situação é uma das surpresas da série, um plot twist.

Um último ponto, mas não menos importante, que faz da série desagradável, é a história vazia, que se perde no decorrer dos acontecimentos. É nítido que a história vai deixando seu glamour. Parece que em certo momento não há mais ideias originais como no início e sim uma receita de bolo: problema e solução. Com uma repetição de narrativa nos personagens e cenas para preencher o tempo. O último episódio, por exemplo, é um tapa na cara para quem esperava algo da série. Extremamente corrido, e sem um final digno caso não haja uma continuação - o que é bem provável devido as inúmeras criticas recebidas - pelo contrário, o final deixa em aberto a possibilidade de uma nova temporada.

Além de tudo, Emily In Paris, cita várias vezes uma "característica" francesa do final real e trágico, enquanto os americanos acreditam no felizes para sempre. Eu sinceramente confesso que esperava que por se tratar de uma série que se passa na França - mesmo sendo americana - eles pudessem trazer isso para a produção, entretanto a realidade foi a mudança de vidas, personalidades e histórias para que pudessem se encaixar no que fosse o melhor para a personagem principal. Resumindo, clichê.

Entre as milhares de criticas, o que se pode  elogiar na série, além dos já citados, cenário - a bela cidade de Paris, é capaz de encher os olhos - e junto com imagens claras são um ponto forte. Figurinos coloridos, modernos e fashionistas, e a própria atriz. É a participação de Camille Razat, interpretando Camille - minha personagem favorita.


Nota Final: 1/5