8.6.12

Crônicas de um amor perfeito #4

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- Ele nem ao menos sabe que eu existo - disse triste.
Melanie suspirou.
- Julie como você consegue ser sempre tão pessimista, me diz?
- Mas, é a verdade. A faculdade é extremamente grande, não tem como ele me conhecer.
- Você o conhece não conhece?
- Claro! Ele é um dos melhores poetas que já vi na vida. Ele escreve divinamente e está no ultimo ano da faculdade de letras, ele é tipo o que eu gostaria de ser quando crescer! - disse demonstrando minha total admiração por Edwin.
Edwin era um verdadeiro cavalheiro, se vestia bem. Conversa bem, era educado e tudo o que eu sempre sonhei encontrar em um rapaz. Ele tinha 23 anos e estava no ultimo ano da faculdade Letras, tudo o que eu queria era conhecê-lo ainda melhor, poder me deliciar ouvindo sobre seu modo de ver o mundo e apenas escutando o doce som de sua voz. Mas, ele nem sabia que eu existia o que dificultava um pouco as coisas. Em quanto Edwin ganhava medalhas e prêmios por usa escrita inigualável eu me arrastava de um turno para outro em meu serviço para conseguir pagar minha faculdade, onde era a mesma que a dele e onde ambos estudavam Letras. Eu não passava de uma mera caloura aspirante a poetisa que não sabia nem estruturar um bom soneto. Ele? Um verdadeiro Shakespeare para nossa época. Só de escutar o nome dele eu já suspirava. 


- Quero que vocês façam grupos para realizar esse trabalho, e como ira exigir muito de vocês quero que escolham alguns dos voluntários que também são estudantes de letras mas, que já estão no último ano de curso. Infelizmente vocês são 50 alunos e apenas 6 estudantes se voluntariaram a ajudar, já que estão muito ocupados com seus trabalhos de conclusão de curso. 
Será que Edwin seria um dos voluntários? Ah, com certeza não ele é espetacular demais para se voluntariar assim, com certeza ele esta focado em realizar um excelente TCC não em ajudar calouros como eu. 
- Os voluntários são esses. Podem entrar meus queridos - disse a professora.
E logo o vi entrar. Edwin Markovic com seus cabelos castanhos, seus olhos também castanhos que continham um brilho único. Seu corpo era completamente normal, sua voz seu jeito de se vestir também. Ele não era lindo como um deus ou o mais rico, menos ainda o mais popular da faculdade. Ele só era o meu príncipe encantado. O homem que com sua voz doce declamava poemas como ninguém, e os escrevia com maestria. Ele me emocionava com poucas palavras.
- Como os alunos voluntários são poucos e  o trabalho é individual separei quem tem as melhores notas. - a professora pegou uma folha e começou a ler vários nomes e depois os nomes de com quem cada um faria dupla. Até que enfim ela disse o meu.
- Julie fará com Edwin.
Meu mundo parou. Aquilo poderia ser apenas uma mera coincidência ou um sinal dos céus de que ele era o meu amor verdadeiro. Suspirei e resolvi parar de ficar sonhando.Levantei-me para dar mais espaço para Edwin se sentar ao meu lado. A professora passou mais algumas informações e pronto, já estávamos livres para podermos iniciar nosso trabalho. 
- Julie? - disse Edwin com sua doce voz.
- S-sim. - disse gaguejando.
- Acho que seria legal a gente fazer esse trabalho em lugares bonitos que te inspirem de alguma forma, assim o trabalho ganhara mais sentimento e as coisas iram fluir melhor o que acha?
- Acho uma excelente ideia (vindo de você só poderia ser!), você tem alguma sugestão de lugar?
- Tem uma praia perto da onde eu moro que seria um lugar muito bom.
- Esta bem.
Marcamos e no dia combinado estávamos na praia que ficava a alguns poucos metros de distância da onde Edwin morava. Ele tinha uma sensibilidade tão grande para interpretar cada linha dos poemas complicados que minha professora havia me dado. Ele era uma pessoa única e difícil de acreditar que era real. Ele conseguia escrever exatamente o que eu sentia e isso me maravilhava.
- Você tem um pensamento muito bom Julie, gosto de acompanhar sua linha de raciocínio. Fico feliz por estar fazendo dupla com você.
- Eu que fico feliz Ewin, você é fantástico.
- Fantástico? - Edwin riu por alguns segundos. - Sabe o que seria realmente fantástico?
- O que? 
- Poder te beijar, sentir seus lábios pequeninos e delicados junto aos meus - e ao dizer isso Edwin se inclinou devagar e começou a alisar meus lábios com a ponta de seus dedos. Delicadamente me tomou em seus braços e me beijou com tanto amor e tanto carinho que pensei que nunca mais ficaria tão feliz em toda a minha vida. Se aquele beijo iria significar algo, ou se só era um impulso romântico de Edwin eu não sei, mas fiz de tudo para acompanhar cada movimento que ele fazia. Resolvi deixar minha insegurança, meu medo e tudo de ruim que poderia pensar e apenas relaxar. Aquele momento tinha tudo pra ser perfeito e eu não tinha o direito de acabar com a minha felicidade. 


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