CRÍTICA DO FILME "POLÍCIA FEDERAL - A LEI É PARA TODOS"

1.9.17

Depois dos roteiristas de Brasília criarem uma história digna dos cinemas, o diretor Marcelo Antunez com a Paris Filmes e Downtown trazem o longa "Polícia Federal - A lei é para todos".

NÃO POSSUI SPOILERS

O longa é inspirado no livro homônimo de Carlos Graieb e Ana Maria Santos. Conhecemos a história dos delegados da Polícia Federal Beatriz (Flávia Alessandra), Julio Cesar (Bruce Gomlvsky), Ivan Romano (Antonio Calloni) e do procuradoDeltan Dallagnol (Rainer Cadete) que enfrentam dificuldades em realizar prisões por conta do sistema. Depois da investigação de doleiros eles descobriram um esquema que, mais tarde, seria conhecido como o maior caso de corrupção no país: a Lava Jato.

Consciente de que as pessoas já sabem os fatos mais importantes sobre a operação, Antunez trouxe como novidade os "pré-fatos" que consistem na parte investigativa até a condução coercitiva no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com isso ele conseguiu construir um thriller investigativo com bom ritmo, o que é passo importante no cinema brasileiro que se apoia nas comédias. Porém, ele pecou com diálogos cheios de frases prontas e vazias

Dentro da equipe dos delegados temos as mais diferentes personalidades. Flávia Alessandra mantém sua gentileza mas exprime a força feminina dentro de um mundo tão sujo; o personagem de Calloni é o líder que uma operação tão delicada como essa exige; o furacão trazido pelo personagem de Gomlvsky representa a desilusão de alguém nesse meio e que quer ver resultados. É interação entre eles é notória e isso cria uma conexão com os espectadores.


O juiz Sérgio Moro é interpretado por Marcelo Serrado, mas não possui destaque porque a história ainda está centrada na parte de investigação. Ary Fontoura, no papel do ex-presidente Lula, teve uma caracterização extremamente ranzinza e ciente do poder que exerce sobre a população. Além deles, o público verá nomes conhecidos como os de Marcelo Odebrecht (Leonardo Medeiros), Paulo Roberto Costa (Roney Facchini) e Alberto Youssef (Roberto Birindelli).

Com músicas originais de Fabio Mondego, Fael Mondego e Marco Tommaso o longa passa uma energia emocionante e nada enjoativa. Apesar de poucas, por conta da dificuldade, as cenas de perseguição e ação deram um toque especial a produção.  

Um defeito no filme é a promessa se imparcialidade, sendo que fica evidenciada a luta do bem contra o mal. O roteiro abrange os fatos até março de 2016, então as cenas mais polêmicas estão reservadas para o segundo filme da trilogia. Agora no governo Temer todos os grandes partidos foram atingidos pela operação, mas um longa que dá tanta ênfase nas acusações ao PT terá dificuldades em trazer de volta os espectadores dessa primeira parte. Será exigida a habilidade de Antunez de contar uma história de forma imparcial e nada seletiva para que fique claro que a lei é para todos.


O longa estreia dia 7 de setembro de 2017.

4/5

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