28.1.18

A saudade deixada pelo ''esquecer''



Você já perdeu alguém. E vai perder alguém de novo. Por qualquer motivo que seja. É inevitável. Não estamos imunes a isso. Não mesmo. Você já sentiu saudade. E vai sentir saudade de novo. Por qualquer motivo que seja. É inevitável. Talvez você tenha se lembrado de alguém ao ler essas palavras, me desculpe, não foi minha intenção. Talvez você tenha sentido saudade. Saudade. Palavra definida no dicionário como: "Sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazeirosas já vividas." Sinônimo de melancolia, tristeza e pesar. Saudade. 

A palavra que só existe em português. O que, na verdade, sempre foi algo curioso. É estranho pensar em como as línguas tem formas diferentes de expressar um mesmo sentimento, ou então, como muitas vezes, algumas expressões simplesmente não existem em certo idioma, como se o sentimento também não.

Dentre os vários tipos de saudade, depois daquela ligada a perda inevitável da vida, a saudade causada pela partida por opção é provavelmente a pior de todas. Tudo bem, "esquecer" amores é algo corriqueiro. Sempre foi. A gente gosta, se apega, se apaixona e depois por algum motivo bobo, ou nem tanto, tem que retirar o time de campo, seja porque o estádio já estava ocupado antes ou porque o jogador não queria saber de jogo dessa vez. E aí temos que aceitar, que seguir em frente e riscar o nome da lista. Mais uma vez. 

Mas há amores e amores. É mais fácil esquecer quem não nos valoriza, quem não se importa, quem não merece. É mais fácil. O problema é quando é bom e gentil. É difícil acreditar que não fomos convidados a ficar. É duro superar, porque sabemos que não havia nada ali que não fosse bom, além é claro, de não ser recíproco. Dói não poder odiar, porque é isso que muitas vezes torna o "esquecer " mais fácil. Quando tudo o que você precisa para se convencer de que não valia a pena é pensar em todos aqueles defeitos ou hábitos questionáveis, que na verdade nem te incomodavam tanto assim mas que precisam ser repensados para tornar as coisas mais simples.

Mas o duro é quando era realmente bom em todos os sentidos. Então aí dói saber que aquele amor vai seguir a vida normalmente e que aquela cadeira antes vazia no estádio vai ser ocupada em algum momento, e que, pasmem, não será por você. Dói saber que daqui a alguns dias vocês serão apenas contatos aleatórios no Facebook, mesmo que aconteçam algumas visitas no perfil todos os dias só pra checar como andam as coisas. E então assim do nada, por uma marcação ou outra, uma foto aqui e outra ali, temos que lidar com o choque de perceber que não fazemos mais parte daquela história. É, realmente não é fácil esquecer pessoas incríveis.

E seja lá qual for o seu tipo de saudade, sempre existe aquele momento em que ela se instala por completo. Quando te invade em cheio e te faz repetir tudo de novo na cabeça. O desejo de voltar no tempo e parar exatamente naquele instante só pra poder reviver tudo é grande demais. 

Mais uma vez. Só mais uma vez, você pensa. ''Recaída: quando a saudade precisa recuperar detalhes.'' E mesmo que aquele momento se torne o presente por alguns instantes, ele acaba. E aí a realidade chega. Encarar que não é real e que aquele momento já se foi parece cada vez mais difícil. 

Mas é sempre assim: vivemos e aos poucos, a cada segundo, vamos deixando os momentos pra trás, um por um. O agora também é passado, e já se foi. "Estar vivo é sentir saudade", escreveu John Green, e talvez um dos nossos maiores desafios seja aprender a conviver com ela.

0 COMENTÁRIOS:

Postar um comentário