17.1.18

CRÍTICA DO FILME "THE POST - A GUERRA SECRETA" COM MERYL STREEP


O que esperar de um filme que tem Meryl Streep e Tom Hanks como protagonistas, e ninguém menos do que Steven Spielberg na direção? Isso mesmo, nada menos do que um grande lacre!

Baseado em uma história real sobre uma mulher comandando um dos maiores jornais do mundo e um grupo de jornalistas focados em fazer história através de fatos verídicos, polêmicos e que eles julgaram que deveriam ser do conhecimento popular, essa é a base que tece a trama do mais novo longa de Spielberg.

LIVRE DE SPOILERS

Ambientado nos anos 70, o longa conta a história de Katharine Graham e Ben Bradlee, editores do jornal The Washington Post e suas lutas para publicarem o conteúdo polêmico do Pentagon Papers, conjunto de documentos oficiais e secretos que detalhavam a influência e a verdadeira razão da intervenção dos Estados Unidos no Vietnã entre as décadas de 40 e 60. Resistindo às pressões e prazos governamentais, os jornalistas foram os responsáveis pelo primeiro golpe contra o governo Nixon, que não resistiu a Watergate.

O filme possui diversos detalhes relevantes que devem ser destacados, como o roteiro simples porém certeiro de Liz Hannah e Josh Singer que prende a atenção do início ao fim, justamente pela forma como dialoga entre os anseios do espectador, que desconhece a história, em saber como os fatos vão se suceder e a dinâmica dos personagens. 


Os detalhes visuais de caracterização dos personagens, que retratam pessoas reais, são impecáveis, assim como a direção de arte, perfeitamente ambientada na década de 70. A trilha sonora de John Willians, parceria certeira com Spielberg, o compositor de temas como Star Wars, Indiana Jones, Tubarão e ET, reforma mais uma vez a importância da música para contar uma história nas telonas. E o fator principal que são os dois protagonistas muito bem vividos por Meryl Streep e Tom Hanks, dois veteranos do cinema que cumprem muito bem seus papeis, ou melhor, cumprem bem qualquer papel.

Streep dá mais um show de interpretação vivendo a desacreditada Kat Graham, personagem tão importante para a história do Washington Post, e que por muitos anos foi vista apenas como "a mulher que herdou" e não como a verdadeira editora, papel que lhe cabia, mas que não era aceito em uma sociedade extremamente sexista, mas a atriz promove uma reviravolta na história demonstrando o poder e a importância da editora perante a história do jornalismo. Enquanto Tom Hanks, vive magnificamente o jornalista Ben Bradlee que em sua busca incansável pela liberdade de imprensa não poupa esforços para exercer a sua profissão sem censura, independente das consequências. O jornalista se tornou editor-executivo e foi determinante nas denuncias de Watergate.

Imperdível, o filme causa uma grande reflexão em diversos pontos como os escândalos envolvendo os Estados Unidos e seus segredos, onde notamos que as denúncias feitas por Edward Snowden, espionagem e segredos, não são novidades e nem deveriam ser surpresas. Afinal os segredos da América, acontecem desde antes dos anos 40, nos governos Truman e Kennedy, ou quem sabe até antes. E a reflexão quanto ao papel da imprensa, ser um veículo imparcial, sem favoritismos nem filtros, com a finalidade de expor a verdade acima de todas as coisas, e como diz a Primeira Emenda da Constituição norte-americana: "O jornalista deve servir aos governados e não aos governantes".

Nota: 5/5
Distribuição: Universal Pictures
Estreia: 25/01

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