CRÍTICA | O Preço da Perfeição: Série com muito suspense e dança é o melhor lançamento da Netflix em 2020

Imagem

Quando a melhor aluna e bailarina, Cassie Shore (Anna Maiche), da prestigiada Archer School of Ballet de Chicago sofre um terrível "acidente", todos se tornam suspeitos. No decorrer das investigações quando álibis são desfeitos e segredos são revelados, é possível perceber que todos, sem exceção, tem algo a esconder, desde os velhos rostos até o novo "futuro do balé". 


Para substituir a estrela da Archer, 'Madame' Monique DuBois (Lauren Holly) concede uma bolsa de estudos a Neveah (Kylie Jefferson), que aos poucos se transforma no pior pesadelo da diretora - já que sua forma de pensar e a vontade de acabar com tradições de abusos, vai de encontro com a de DuBois em manter o prestígio da escola e não se envolver em escândalos. 

Mas, não é apenas a diretora que a forma progressista de pensamentos de Neveah incomoda. Bailarinas e bailarinos que sobrepõem a competição, temem que a nova aluna possa colocar a perder tudo que eles construíram em anos de dedicação. 

Entretanto, se dentro do balé, para conseguir os melhores papéis e solos, as intrigas são fortes, fora das aulas todos possuem ligações. E em uma não tão perfeita sincronia - diferente do que ocorre nas danças - esse grupo de bailarinos se ajudam - e às vezes se atrapalham - para manter em segredo o que de fato aconteceu na noite em que alguém empurrou Cassie quatro andares abaixo. 


A série O Preço da Perfeição criada pelo canadense Michael MacLennan, é baseada no livro Tiny Pretty Things (que em tradução ao pé da letra seria Pequenas Coisas Bonitas) de Sona Charaipotra e Dhonielle Clayton. Pouco conhecido no Brasil, a obra não possui tradução para o português, entretanto, sua adaptação, lançada no último dia 14, pela plataforma de streaming Netflix, já é um sucesso entre o público brasileiro, e não para menos.

Cheia de suspense e muita arte em forma de dança, o inusitado grupo de atores entrega ao longo de 10 episódios - com aproximadamente 1 hora cada - um show de atuação e balé. Além dos já citados nomes, o elenco conta com: Casemire Jollete (Bette Whitlaw), Michael Hsu Rosen (Nabil), Brennan Clost (Shane) e Daniela Norman (June Park). 

E se você estiver se perguntando "quem são esses?" saiba que é normal. Para grande parte do elenco esse foi o primeiro trabalho em atuação. A escolha de elenco para essa produção foi de um grupo de bailarinos profissionais, que no entanto, mostra saber entregar além de coreografias perfeitas, uma atuação perfeita. Não deixando nada a desejar se em comparação a atores no 'ramo a mais tempo'.

Se o seu estilo de série é um drama adolescente - com problemas não tão clichês assim - e um suspense que se decorre em todos episódios, essa série é perfeita. O Preço da Perfeição tem uma pegada Elite, porém em um ambiente diferente, cercado pela competição que o balé proporciona. 

Mesmo com episódios longos, a série não é cansativa. A verdade é que você nem ao menos nota o tempo passar, já que cada episódio te prende e te faz querer continuar. A perfeita série para maratonar. 

Entretanto, problemas também precisam ser comentados. Alguns pontos foram deixados no decorrer da série, outros foram fechados, porém não tão produzidos e a gente sente falta de um final mais justo. Também não acredito que a série possua um plot twist, se você prestar bastante atenção - e já ter um faro apurado para esse estilo de produção - é possível descobrir com bastante antecedência quem é o culpado de tudo. Ainda assim, o final - tirando a questão da descoberta - pode ser sim surpreendente. 

O que me deixa mais feliz é que o final está aberto para uma segunda temporada. Existe uma continuação nos livros, com Shiny Broken Pieces (ou em tradução literal, Pequenos Pedaços Brilhantes), na qual a Netflix pode se basear. Mas, um final aberto não é sinal para renovação. Em um streaming onde boas produções parecidas, como Spin Out e Não Me Provoque, foram canceladas, não é recomendável criar expectativas. Até o presente momento, a plataforma não confirmou a continuação, mas ainda está muito cedo. 


Já em relações mais técnicas, a imagem é perfeita, a estética é agradável, o figurino é impecável, as músicas são boas e as danças são incríveis, com toda a certeza você sai querendo se tornar bailarina(o). 

Resumidamente a história é envolvente e os personagens são interessantes. Ninguém é tão bom quanto buscam demonstrar e nem tão ruim quanto os descrevem. Você pode ter uma relação de amor e ódio com a mesma pessoa. E nem tudo que aparenta é.

Estava ansiosa para assistir a essa série desde que vi o trailer nos "próximos lançamentos", e não me arrependo nem um pouco do que assisti. Entregou tudo o que eu esperava e ainda mais. Sem dúvidas, o melhor lançamento da Netflix no ano de 2020.


Nota Final: 5/5