CRÍTICA DO FILME 'PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA'

2.8.17

Depois do confronto, em ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’ encontramos novamente o líder Caesar (Andy Serkis) e seu grupo, em uma eminente guerra com os humanos sobreviventes em decorrência das ações de Koba — antigo aliado de Caesar — onde se esconder não é mais uma opção.

LIVRE DE SPOILERS

O filme desta vez segue um caminho diferente dos anteriores, fugindo um pouco da dita guerra, encontrando outras formas de explorar o gênero de ação. Embora isso torne o ritmo do filme mais ralentado em seu primeiro ato, acaba tornando-se também um diferencial ou até mesmo um ponto positivo, ainda mais para os fãs da franquia, onde podemos ver de forma mais íntima a relação entre Caesar e seu bando, como também a motivação interior de cada um no dado momento, abordando os bastidores, o que está por trás do confronto. Dito isso, o terceiro filme da franquia busca um foco maior no drama central dos personagens, apresentando uma carga dramática mais evidente, onde o grupo está exposto (fisicamente e emocionalmente) tendo de lidar com as perdas e as consequências da trajetória em busca de paz, ao mesmo momento que lida com ameaças ainda maiores. 

Matt Reeves, responsável pela direção, soube estabelecer e explorar as relações nas duras horas e vinte minutos do longa formidavelmente, e mesmo que o dialogo não seja uma figura tão presente entre os macacos, ainda sim muita coisa é dita através do trabalho excepcional dos atores, tanto pela linguagem de sinais quanto pelo trabalho corporal dos mesmos.


Como dito por Andy Serkis durante a coletiva do filme em São Paulo, ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’ tem como tema central a importância da empatia. Vemos Caesar em busca de vingança atrás de um impiedoso coronel (Woody Harrelson) uma ação que até então ia contra os princípios do mesmo. No desfecho da franquia, a filosofia moral e social, que é uma marca presente desde seu início em 2011, não é deixada de lado e sim enfatizada e abordada sob um novo olhar do protagonista, onde mesma é colocada à prova. Serkis comentou sobre como os macacos são uma espécie de metáfora à sociedade, ao próprio comportamento humano. E isso é mais que evidenciado ao decorrer da trama, onde o medo, a injustiça, as diferenças, se tornam cada vez mais evidentes entre seus semelhantes. Caesar trás novamente o discurso de que macacos juntos são mais fortes, porém desta vez os inimigos estão em ambos os lados da guerra. 

A narrativa evita qualquer tipo de maniqueísmo dentro dessa abordagem, onde as personagens não são de todas boas ou más, e que fazem aquilo que lhes julgam corretas ao seu ponto de vista. Simpatizamos com a luta dos macacos, mas também somos levados a questionar as nossas ações também durante uma epidemia como a retratada.

Embora a trilha sonora em dados momentos tenha se destoado do tom do filme, e talvez a urgência de resolução no terceiro ato do filme venha a não agradar a todos, ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’ é um suspiro em meio à tantos blockbusters. Um filme muito bem conduzido, que se assemelha à clássicos western e de guerra, porém mostrando que também é possível mostrar a delicadeza do humano e a sensibilidade mesmo em meio à confrontos, lutas e desigualdades.

Nota: 4,5/5

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